quinta-feira, junho 30, 2005

Notas Soltas - Junho/2005

Notas Soltas – Num programa homónimo, António Vitorino exibe às segundas-feiras os seus conhecimentos e poder de comunicação, em entrevista a Judite de Sousa. Eis um bom contrapeso às «As Escolhas de Marcelo».

União Europeia – A solidariedade entre países da Europa regrediu com o NÃO francês e holandês. A paz e o desenvolvimento que três gerações de europeus gozaram (excepção feita à região balcânica) estão cada vez mais em risco.

Madeira – O desatino verbal em que o sátrapa autóctone reincide, atinge as raias da demência com sonoras obscenidades. Há um referendo urgente a fazer – perguntar aos portugueses do Continente se querem tornar-se independentes da Madeira.

PSD – O prazo de validade do líder, Marques Mendes, pode ser curto, porque Jardim, Valentim Loureiro, Filipe Meneses e Isaltino, entre outros, o põem em causa. Mas o inverso é cada vez mais provável, para bem da higiene política.

Vasco Gonçalves – Ícone maior da Revolução de Abril, suscitou ódios, calúnias torpes e afectos profundos. Com a sua morte Portugal perdeu o revolucionário generoso a cuja coragem e patriotismo se devem as mais profundas transformações.

Álvaro Cunhal - Faleceu aos 91 anos o carismático líder do PCP e um dos mais respeitados comunistas mundiais. A coerência, invulgar cultura e perspicácia política, aliadas a uma coragem e determinação ímpares, foram os traços dominantes de uma personalidade singular.

Eugénio de Andrade – O poeta que usou as palavras com musicalidade e rigor, grande referência da poesia do séc. XX, em Portugal, acompanhou na morte duas figuras ímpares da História portuguesa.

Luto Nacional – A falta de critério, que contemplou Carlos Paredes e a freira Lúcia de Jesus, baniu da distinção os antigos primeiros-ministros Vasco Gonçalves e Lurdes Pintasilgo. Não há rigor de Estado, apenas caprichos da roleta populista.

OE/2005 – Bagão Félix, sofrível cidadão e medíocre governante, procurou abafar o seu desastroso Orçamento ridicularizando as previsões até às centésimas do Banco de Portugal (6,83%). O Governo que integrou corrigiu, em Setembro de 2003, a previsão anterior do défice até às milésimas, para 2,944%.

Frente Nacional – A manifestação da extrema-direita, dia 18, reuniu um bando de malfeitores, possessos de violência, turvos de ódio, capazes de novas aventuras alimentadas pelo racismo e a xenofobia que urge combater.

CDS/PP – A vitória absoluta de Ribeiro e Castro nas primeiras eleições internas foi considerada um êxito pela liderança do CDS e fraude pelos adversários internos, por sinal menos recomendáveis. Fraudes havia no salazarismo. Sobraram especialistas?

PS – A conjuntura e a impossibilidade de manter direitos adquiridos e regalias intoleráveis a alguns funcionários públicos são a desgraça de um partido que chegou ao poder na altura errada, quando o PSD/CDS estavam num beco sem saída.

Espanha – A manifestação contra a legalização dos casamentos gay, em Madrid, contou com a presença de 18 bispos, centenas de padres e freiras e o apoio do Vaticano. Foi a maior procissão de sempre organizada contra o Governo espanhol.

Espanha 2 – A manifestação contra a fome, em Madrid, contou com a presença de Monsenhor Juan José Omella, catalão, único bispo presente. O apoio do clero variou na razão inversa da bondade das causas.

Petróleo – A progressiva carência dos combustíveis fósseis, que colocou o barril do petróleo acima dos 60 dólares, põe um grave dilema às sociedades modernas e vai enfraquecer rapidamente as objecções contra a energia nuclear.

Iraque – A violência não pára e a tragédia agrava-se graças ao erro de Bush e de Blair e à subserviência de outros comparsas. A caminho da teocracia, onde se prometeu uma democracia, o País transformou-se num imenso campo de treino para terroristas.

Guantánamo – A sítio onde estão internados presumíveis terroristas islâmicos, ficará na história como local onde um país dito civilizado levou longe o desprezo pelos direitos humanos. Os EUA humilharam a chamada civilização cristã e ocidental.

Galiza – Os votos da população rural, do clero e dos emigrantes foram escassos para adiar a agonia do velho cacique franquista, Fraga Iribarne. O PP vai, pela primeira vez, para a oposição. Em Madrid, Zapatero averbou uma nova vitória.

Emídio Guerreiro – A morte foi injusta para Portugal neste mês de Junho. Partiu mais um antifascista, que combateu a tirania em Portugal, Espanha e França, quase a completar 106 anos. Foi presidente do PSD e era um social-democrata coerente.

4 Comments:

Anonymous Anónimo said...

só uma coisa: o carácter trágico do que se está a passar e vai continuar a passar-se no iraque é que, ao contrário do que afirma, isso não se deveu a um erro de bush (já quanto ao blair não sei). toda a morte e destruição não passam, para o aparelho que sequestrou a américa, de 'collateral dammage'.

2:39 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Cheguei a escrever «crime de Bush...». Não me recordo do motivo da infeliz alteração.

7:25 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

a política externa dos eua pode ser definida como uma feliz simbiose entre o fundamentalismo cristão/protestante e os interesses geo-estratégicos referentes ao controlo das reservas petrolíferas mundiais. aconselho-lhe a leitura deste texto: http://www.iss-eu.org/chaillot/chai54e.pdf. se preferir também está disponível em francês. vale a pena ler (50 pag).

7:56 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

não tenha medo das palavras, um crime pode ser o resultado de um erro, mas não foi isso que se passou neste caso. neste caso foi mesmo premeditado, e duvido que quem planeou tudo isto esteja arrependido.
a única coisa que falhou no iraque é que a administração bush não contou que os novos amigos da 'coalition of the willing' tivessem uma vontade tão volátil, porque a ideia era por os amigos da nova europa a tomar conta do post-conflict peace building, como o clinton havia já feito no kosovo

8:05 da tarde  

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